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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Perigo espalhado: começa a fase de grupos da Libertadores

Com as lembranças da eliminação quádrupla em 4 de maio do ano passado, brasileiros encaram poder descentralizado no continente


Parecia ser um 4 de maio qualquer – um destes tantos na competição que une expectativas continente afora no primeiro semestre. Os brasileiros iam a campo, com maior ou menor conforto, esperançosos de avançar na Libertadores. E o Inter caiu. E o Grêmio caiu. E o Fluminense caiu. E o Cruzeiro caiu. Do nada, o todo-poderoso futebol brasileiro levou quase um strike em castelhano. Foi derrubado, respectivamente, por um uruguaio, um chileno, um paraguaio e um colombiano. Por nenhum argentino. Por nenhum conterrâneo tupiniquim.
 
Sobreviveu o Santos, campeão, exceção para comprovar a regra. Os demais 80% da representação verde-amarela despencaram diante do perigo espalhado por times que não parecem tão ameaçadores quanto um Boca Juniors da vida, saídos de países que não soam tão assustadores, mas que fizeram seu estrago em 2011. Nesta terça-feira, quando o Fluminense dá largada à trajetória brasileira na fase de grupos da Libertadores, não custa dedicar alguns segundos para lembrar o que Peñarol, Universidad Católica, Libertad e Once Caldas ensinaram naquele 4 de maio.
Video: Globo Esporte


É bem verdade que o Santos foi campeão. É bem verdade que o Inter, um ano antes, também foi campeão. É bem verdade que na pré-Libertadores deste ano tanto Flamengo quanto Inter superaram seus oponentes – Real Potosí, da Bolívia, e Once Caldas. É bem verdade que aí estão repetidas provas de que o Brasil continua sendo uma potência na competição. Mas o perigo está espalhado.
Que o diga o Fluminense. Em 2008, para chegar à final, passou por dois argentinos, Arsenal e Boca Juniors, e por um brasileiro especialista na disputa, o São Paulo. Na final, caiu para a LDU, equatoriana. Que o diga o Inter. Em 2010, no caminho para o título, superou dois argentinos, Banfield e Estudiantes, e também derrubou o São Paulo. Um ano depois, parou em um uruguaio.

Desde 1992, sempre há ou um brasileiro, ou um argentino na final. Em oito anos, ambos: ou um de cada país, ou dois do Brasil. Mas há novas forças. É o caso da LDU, campeã da Libertadores em 2008, bicampeã da Recopa em 2009 e 2010, campeã da Sul-Americana em 2009 - mas que não se classificou para a disputa deste ano. É o caso do Universidad de Chile, ganhador invicto da Sul-Americana de 2011. E pode ser o caso do futebol uruguaio, campeão da Copa América, semifinalista da Copa do Mundo, presente com o Peñarol na última decisão da Libertadores.
A impressão é de que ser campeão da Libertadores ficou mais difícil. É o que pensa Felipe, vencedor com o Vasco.
- Em 1998, quando enfrentamos o River Plate na semifinal, todos disseram que aquela era a decisão antecipada da Libertadores. A final foi contra o Barcelona de Guaiaquil, numa época em que os times do Equador não eram tão fortes. Hoje, a Libertadores está muito mais difícil, pois não são apenas os times da Argentina que fazem frente aos brasileiros. Atualmente vemos equipes do próprio Equador, do Chile e do Uruguai, por exemplo, na briga pelo título – comentou o jogador.
Neymar, D'Alessandro, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Juninho   Alex
  libertadores (Foto: Editoria de Arte/Globoesporte.com)
Neymar, D'Alessandro, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Juninho, Alex: brasileiros entram com elencos fortes na edição de 2012 da Libertadores
Se os brasileiros tiveram um recado no ano passado, os vizinhos de continente são obrigados a manter o cuidado que costumam ter. A competição teve 51 edições, e o Brasil ganhou 15 títulos. Deles, dez foram nas duas últimas décadas. O São Paulo, zerado até 1992, ganhou três. O Inter, zerado até 2006, venceu dois. A presença constante dos brasileiros nas fases finais leva o treinador da Seleção nacional, Mano Menezes, a demonstrar otimismo.
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